Terça, 17 de Julho de 2018

O Repórter

Título do Brasil na Copa de 1958 completa 60 anos; relembre 10 fatos

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Rafael Max - 29 de junho de 2018 às 22:00
Divulgação/CBF
A equipe brasileira campeã mundial de 1958

RIO (OREPORTER.COM) - "Oh... 58 foi Pelé...". É assim, que começa um canto adotado pea torcida brasileira na Copa do Mundo da Rússia 2018. Foi quando o nosso país provou ter talento na bola no pé e conquistou o mundo pela primeira vez. E isso já faz 60 anos.

O Brasil já havia chegado perto do troféu em 1938 e 1950 - esta com uma traumática derrota em casa, contra o Uruguai -, mas o torcedor teve que esperar até 29 de junho de 1958 para, enfim, soltar o grito de é campeão.

E foi nesse time que Pelé despontou para a majestade, além dos bilhos de nomes como Vavá, Zagallo e Garrincha. O gesto de levantar a taça de campeão foi criado pelo capitão Bellini, algo que é repetido até hoje

Hora de conhecer um pouco sobre as curiosidades do Brasil na Copa do Mundo de 1958:

1 - Pelé se machucou faltando pouco tempo para o Mundial

No dia 21 de maio, o Brasil fez um amistoso contra o Corinthians. Pelé já jogava de titular, mas se machucou naquela partida e foi substiuído por Vavá. Chefe da delegação, Paulo Machado de Carvalho insistiu no nome do menino do Santos e bancou a vinda do jogador para a Suécia.

Já no Mundial, Dida foi o nome do ataque durante o primeiro jogo, mas jogou mal e deu lugar a Vavá na segunda rodada. Pelé se recuperou a tempo e entrou no terceiro jogo, logo na vitória por 2 a 0. Foram dois gols de Vavá naquela partida, iniciando a guinada rumo ao título - a equipe brasileira tinha empatado por 0 a 0 contra a Inglaterra no jogo anterior. 

Pelé (Foto: Divulgação/CBF)

2  - Pelas ondas do rádio

Como você vê Copa do Mundo atualmente? Certamente pela televisão e conferindo os melhores momentos pela internet (ou até mesmo vendo os jogos ao vivo pela grande rede). Só que, em 1958, as coisas não eram bem assim. As telecomunicações via satélite ainda estavam engatinhando na Europa - o satélite Sputnik III foi lançado neste mesmo ano, possibilitando que as emissoras de televisão passassem os jogos para o Velho Continente. No entanto, esse tipo de transmissão ainda era impossível para os sul-americanos.

Só restava o bom e velho rádio para os brasileiros acompanharem em tempo real as emoções daquela Copa do Mundo. O narrador de rádio Braga Júnior conta, em uma antiga entrevista à Folha de S. Paulo, que as transmissões chegavam via transmissores Single Side Band (SSB). E era um "negócio feito às cegas", já que não havia retorno e não tinha a certeza se a transmissão estava sendo feita com qualidade. E, claro, a recepção não era boa para os brasileiros.

"Era uma espécie de sanfona, o som aumentava e diminuía. Você não ouvia como hoje, que não tem interferência nenhuma", disse.

Já a televisão ainda engatinhava no Brasil. A telinha havia surgido por aqui em 1950, e a TV Tupi foi a responsável por levar as imagens daquele Mundial. Mas com atraso, já que o conteúdo chegava através de filmes 16mm - a Copa do Mundo só seria transmitida ao vivo para os brasileiros a partir de 1970.

3 - A seleção já foi criticada

Nem a seleção de 1958 foi poupada as críticas dos torcedores antes da Copa do Mundo. O time ia bem e fez uma goleada de 5 a 1 contra o Paraguai no Rio de Janeiro, mas um empate por 0 a 0 contra o mesmo time frustrou os torcedores paulistas que foram ao Pacaembu. Tanto que a equipe acabou vaiada antes mesmo de acabar o jogo.

Na partida, Didi e Zagallo se machucaram e foram substituídos por Moacir e Canhoteiro. Além disso, um pênalti não marcado pelo árbitro Venceslau Zarate. O jogo foi realizado em 7 de maio de 1958.

4 - O Flamengo já venceu a seleção de 1958

Era apenas um jogo-treino com dois tempos de 35 minutos, mas o rubro-negro carioca teve o gosto de derrotar a seleção que viria a ser campeã mundial. Na primeira etapa, um empate de 0 a 0 com a formação reserva, mas o jogo terminou em vantagem de 1 a 0 para o time da Gávea quando a equipe verde e amarela veio para o segundo tempo com a equipe considerada a titular. A partida foi realizada em 11 de maio de 1958.

5 - Numeração estranha

Muita gente estranha ao saber que o goleiro titular do Brasil usou a camisa 3. Além disso, Garrincha, que habitualmente vestia a 7, jogou com a 11 durante o Mundial. Não há uma razão oficial para isso, mas o que se sabe é que a Confederação Brasileira de Desportos (CBD) não enviou a relação dos atletas com a numeração a tempo. Então, a Fifa distribuiu os números para os jogadores à sua maneira.

6 - Os goleadores

Pelé saiu daquela competição como o principal goleador brasileiro, com seis gols marcados. Como destaque estão as atuações contra País de Gales - quando marcou o único tento durante as quartas de final - e nos três gols durante a semifinal contra a França. Ídolo do Vasco, Vavá fez cinco, sendo dois na final contra a Suécia

Ao todo, o Brasil saiu daquela disputa com 16 gols marcados e apenas quatro sofridos. Foram cinco vitórias, um empate e nenhuma derrota.

Vavá (Foto: Reprodução)

7 - A defesa 

Com quatro gols sofridos, o Brasil saiu daquela disputa com a defesa menos vazada daquela disputa. Os responsáveis? O goleiro Gilmar, do Corinthians, e os zagueiros Orlando e Bellini, do Vasco. A defesa ainda contava com o lateral De Sordi, do São Paulo, que foi substituído na final por Djalma Santos, da Portuguesa. Na esquerda, Nilton Santos, do Botafogo, reinou absoluto nos seis jogos do Brasil.

8 - O gesto

O gesto de levantar a taça de campeão sobre a cabeça veio pela primeira vez com o capitão Bellini, em 1958. Na verdade, a atitude teve apenas um motivo: exibir o troféu para os fotógrafos que cobriam a partida final contra a Suécia.

Desde então, os capitães dos times vencedores repetem esse gesto. Mauro (1962), Carlos Alberto (1970), Dunga (1994) e Cafu (2002) foram os brasileiros que tiveram essa honra após Bellini.

9 - A final

Os suecos deram um susto no Brasil na final ao abrirem o placar aos quatro minutos, com Liedholm. O meia Didi não quis que os jogadores se intimidassem e logo disse:

"Vamos lá, acabou a moleza, vamos encher esses gringos de gols".

Vavá não perdeu tempo e empatou aos nove, virando aos 32. No segundo tempo, Pelé marcou aos dez minutos e Zagallo aos 23. Simonsson descontou aos 35, mas Pelé fez na reta final e deu números finais à partida.

Foto: Werner Haberkorn/Acervo do Museu Paulista da USP

10 - O time campeão

Foi a primeira vez que o Brasil jogou de azul, já que os donos da casa não abriu mão do amarelo. E ela veio na base do improviso, pois a cor branca lembrava a derrota da Copa do Mundo de 1950. E por sugestão de Paulo Machado de Carvalho surgiu o azul, o tom do manto que cobre a imagem de Nossa Senhora Aparecida.

“Falaram que era o manto de Nossa Senhora, para quebrar aquela coisa de azar com a cor da camisa. Foi azul porque a Suécia jogava com camisa amarela. A camisa foi feita lá. Apenas o bordado foi tirado e colocado de improviso. Acabou sendo uma alegria para nós”, disse Zagallo em uma entrevista para a Rede Globo em 2010.

Foto: Wikimedia Commons/Domínio Público

E foi assim que o técnico Vicente Feola armou o  Brasil para aquela final:

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