Quarta, 22 de Novembro de 2017

O Repórter

Frei Neylor Tonin

Neylor J. Tonin é frade franciscano e descendente de italianos. Mestre em Espiritualidade, é formado em Psicologia, Sociologia e Jornalismo. Escritor e conferencista, professor de Oratória Sacra (Homilética), quer ser da vida "um bom pastor, um ardente profeta, um encantado poeta.
Frei Neylor Tonin

De Coração Aberto - Muito obrigado por 2013

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Frei Neylor Tonin - 28 de dezembro de 2013 às 14:21
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Querido Deus, grande e bom: neste último dia do ano, dobramos, diante de vossa majestade, nossas cabeças, reconhecendo vosso poder e senhorio, nossa alegre dependência e feliz filiação.

OLHANDO PARA TRÁS, nós Vos agradecemos pelo ano que chega ao seu final. Muito obrigado por tantas graças recebidas, pelo bem praticado, pela vida que tivemos, pelo amor que demos e recebemos, pelas alegrias que espalhamos e colhemos.

Muito obrigado pela fé que nos iluminou a caminhada, pelo trabalho que nos fez úteis, pelo amor que nos fez bons pastores da vida.

Muito obrigado pela saúde, pelos sentimentos e emoções, pelos encontros e pela fraternidade, pela fé e por nossa família, pelos que trabalharam pelo bem e pela paz, pela justiça e pelo progresso, pela esperança que nunca nos abandonou e pela estrela que sempre nos apontou os caminhos da felicidade e da verdade.

Muito obrigado pela dignidade que nos tornou fortes diante das tentações e pela coragem com que nos portamos diante das solicitações do mal.

Vós, que conheceis a interioridade de nosso coração, sabeis que muito mais temos para agradecer do que para pedir e lamentar. Em vossas mãos colocamos a graça da vida e a alegria de viver, por nosso Senhor Jesus Cristo.

Tudo o que somos é vosso.
Nada queremos reter para nós,
nem o bem nem o mal, nem a graça nem os sofrimentos,
e tudo o que somos e temos Vos entregamos
na confiança e na alegria de filhos.

OLHANDO, AINDA, PARA TRÁS, queremos Vos pedir perdão pelos males que cometemos, pelas tristezas que causamos, pelas covardias que enfearam nosso caráter e o nome cristão, pela glória que não demos ao Vosso Nome, por nossos orgulhos, vaidades, mesquinhez e crueldades, por nossa insensibilidade, arrogância e quantas impaciências!

Por todos estes pecados
e por tudo que nos distanciou do coração de Cristo,
batemos no peito e vos pedimos, por Cristo, no Espírito Santo, perdão.
Limpai nosso coração, fazei de nós uma nova criatura,
enriquecendo-nos com o fermento bom da páscoa de Jesus.

OLHANDO PARA FRENTE, queremos, com a Vossa graça e graças a ela, viver o esplendor da vida, com esperança e coragem, para fora de nós mesmos, em direção a Vós e aos nossos semelhantes, de todas as pessoas, sem exceção.

Ajudai-nos a morrer para o velho Adão, crucificando a carne do pecado e alimentando os sentimentos de Vosso Filho bem-amado. Renovamos nossa disposição em Vos servir, em honrar sempre Vosso Nome, em trilhar o caminho do Evangelho, sendo mensageiros da Boa-Nova, servindo a vida e fazendo florescer seu milagre, no respeito e na dignidade, sem medo e sempre agradecidos.

Prometemos olhar a vida como graça, fugindo da tentação de lamentar-nos por tudo que venha a acontecer. Como os Anjos de Belém, queremos anunciar a Paz. Prometemos promover a Justiça, criar condições dignas de vida para todos, consolar os aflitos, os que sofrem, os crucificados, proclamar um ano de graça, e acompanhar nossos irmãos para o presépio de Jesus.

Lutaremos para que Herodes não mate mais criancinhas, defenderemos os pequeninos, os pobres, os marginalizados, os sem-nome, e ficaremos do lado dos entristecidos, dos aflitos, dos que choram, dos que não têm emprego e já perderam o brilho do sol.

Rezaremos para que ninguém desespere diante das durezas da vida, para que ninguém reaja com violência diante do desamor, para que as famílias sejam unidas, os pais amem seus filhos e todos juntos promovam a “civilização do amor” e o Reino dos Céus.

Abençoai-nos,
fazei de cada um e de todos nós uma grande e bonita graça!
Que o novo ano renasça, permanentemente, de nossas mãos
com a graça com que a criação saiu, um dia, das Vossas.
E que o mundo vá recuperando,
pouco a pouco, os contornos do paraíso
e apresentando a beleza de uma Jerusalém celeste.

Pelo ano que se foi, Vos dizemos: “Obrigado, muito obrigado”.
Pelo ano que está vindo, Vos dizemos: “Sim, seja feita a Vossa vontade”.

Que Vosso Nome seja glorificado,
que venha a nós o Vosso Reino,
e, vos pedimos, por Maria nossa Mãe, e por todos os santos do céu,
livrai-nos de todo o mal.
Pelos méritos de Cristo, nosso Senhor.
Amém.

Aos Diretores do Portal www.oreporter.com e aos queridos Leitores desta coluna semanal, desejo e rezo para que tenham um FELIZ ANO NOVO.

Frei Neylor. J. Tonin
neylor.tonin@terra.com.br
www.freineylor.net

De Coração Aberto - Natal

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Frei Neylor Tonin - 21 de dezembro de 2013 às 10:45

NATAL: da parte de Deus, é uma graça inacreditável, impensável por nós, humanos. Deus poderia ter aparecido de muitas outras formas. Preferiu a forma humana. Ser gente não é nenhum desdouro nem para Deus. Quando uma mulher rasga seu corpo e aperta em seu peito um filhinho, ela atualiza a criação de Deus. A mãe é a mais eloquente imagem de Deus. Ela nos consola, como Deus, nos salva, como Deus, dá sua vida por seus filhos, como Deus. Todas as sociedades deveriam ter um monumento às mulheres MÃES. São elas que criam os criadores da sociedade. Benditas mães! Benditos filhos... de uma mãe!

NATAL: da parte do homem, é uma partilha imperiosa e urgente. No Natal, Deus chega até nós. Arma sua tenda em nossa terra. É verdade que Deus veio para o que era seu, e os seus não o receberam, Sua luz brilhou nas trevas, mas as trevas preferiram a própria escuridão da noite ao esplendor de seu sol. Qualquer cantinho da terra, mesmo que seja uma estrebaria, é um lugar abençoado por Deus, porque Deus ama tudo o que fez e não se aborrece de nada do que criou. Ele é “o grande amigo da vida” (Sb 11,26). Por isso que o estábulo de Belém se encheu de anjos e lá não houve um lamento, mas cantos de alegria. No Natal, este canto precisa voltar. As estrebarias têm que conhecer o eterno canto dos anjos. Estes anjos podemos ser nós. Podemos e devemos. É possível fazer o Natal ser uma graça de Deus, pelo compromisso da partilha humana.

No Largo da Carioca, no Centro do Rio, recriamos todos os anos e fazemos acontecer o Natal para 500 crianças pobres e suas famílias. Uma gota de cuidados neste mar das misérias humanas, certamente! Mas é uma gota. Estas 500 crianças levarão em sua memória este gesto divino e humano: Deus estará nascendo e nós seremos seus anjos, cantando para elas e fazendo-as cantar de alegria. Por um dia, na vida sofrida delas, elas experimentam o que a humanidade experimentou, sem saber, no Natal de Jesus. É para elas, um DIA DE PAZ. Dessa Paz que tanto desejamos e que é o caminho de Deus para a humanidade. Como disse Gandhi, “não procuremos o caminho da Paz, porque a Paz é o caminho”.

Colunistas

Os comentários, a cada ano, de vários colunistas de jornais são de indecisão e de perplexidade, quando se decidem ou se veem forçados a não evitar o assunto Natal. É como se dissessem: “Poxa, de novo? O que dizer que já não disse nos anos anteriores?” A ficar apenas nas materialidades da festa, torna-se difícil escrever algo substancial de interesse dos Leitores sobre tema tão específico. As materialidades do Natal – Papai Noel, presépios, árvore de Natal, presentes, compras, correrias, crianças desejosas e aflitas, comida, família reunida, descanso das atividades – tudo isso se repete com mínimas variações de ano para ano. As coisas materiais, com certeza, têm limites ingratos e de pouca inspiração. Não assim, a espiritualidade da festa, do nascimento de Jesus, do qual se podem lembrar consequências ricas e sempre novas. Não dá para comentar o Natal com um artigo escrito sobre as coxas. O ideal seria que nascesse dos joelhos de quem crê e reza. Não critico os colunistas por nada. Cumprem seu papel, mas vejo-os patinando em suas descrenças religiosas. Para quem crê, o Natal é um acontecimento único para a humanidade, não só para os cristãos. Aconteceu um dia, com data precisa (“quando César Augusto era o imperador de Roma, Quirino, o governador da Síria, no tempo do Rei Herodes”). Escrever sobre isso envolve mais do que satisfazer uma obrigatoriedade profissional. De qualquer forma, sobra sempre a pergunta perplexa de Machado de Assis com a qual finalizou seu soneto: “Mudou o Natal, ou terei mudado eu?” A todos os jornalistas e aos queridos Leitores da nossa coluna, meus votos são de Paz e de um FELIZ NATAL!

Oração pela Paz diante do Presépio

Ó Jesus, lindo menino e príncipe da paz:
gostaríamos, hoje, de pedir-te um grande presente: a paz!
Nós e nosso mundo precisamos tanto de paz,
da Paz verdadeira e inteira, da qual és a fonte e a garantia.
Dá-nos, te pedimos, um coração de paz, bom e amigo!
Faz-nos instrumentos da paz,
daquela paz anunciada pelos Anjos nas campinas de Belém.

Que bom seria, Jesus, se pudéssemos, em troca,
também te oferecer um mundo de paz e uma festa de irmãos!
O ruído das armas, no entanto, ainda assusta a pombinha da paz
e a violência campeia enlouquecida em nosso mundo.

Mas, Jesus, lindo menino e príncipe da paz,
não tenhas medo nem deixes de nascer!
Há todo um mundo que luta pelo bem
e que acredita na “civilização do amor”.

Um dia, quem sabe, sob tua inspiração,
“o lobo habitará com o cordeiro
e o leão comerá capim com o boi” (Is 11,6-7).
A justiça, então, inundará a terra,
como as águas enchem o mar (v. 9).
E todos cantaremos e dançaremos, juntos,
o nascimento de um lindo menino, que és tu.

Por hoje, reforça nossos anseios de paz
e reacende, forte, a chama da esperança,
ao mesmo tempo em que colocamos, junto a teu presépio,
com alegria e sem medo, nosso pobre coração humano,
machucado, quem sabe, mas, ao mesmo tempo,
inebriado com os sonhos de um Feliz Natal!

Frei Neylor. J. Tonin
neylor.tonin@terra.com.br
www.freineylor.net