Sexta, 24 de Novembro de 2017

O Repórter

Sandra Baptista

Sandra Baptista é psicóloga clínica, sexóloga, educadora, consultora de projetos sociais e educacionais e debatedora da Rádio Tupi do Rio de Janeiro.
Sandra Baptista

A mercantilização da Educação. Aonde chegaremos?

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Sandra Baptista - 25 de janeiro de 2014 às 15:29
Tânia Rêgo/Agência Brasil
Alunos e professores da Gama Filho em protesto em frente a sede da instituição

Com os últimos acontecimentos envolvendo a Educação no nosso país tenho experimentado uma revisita, um encontro e reencontro com as memórias que fizeram e ainda fazem parte da minha trajetória pessoal e profissional. E, envolvida em velhas memórias e novos desafios, e após ler em inúmeros jornais, sites etc. notícias sobre o descredenciamento pelo MEC da
Universidade Gama Filho (UGF) e do Centro Universitário da Cidade (UniverCidade) decidi compartilhar com os leitores parte desta travessia.

Valho-me do meu primeiro contato com a UGF enquanto aluna do Colégio Piedade (CAP/UGF) em 1981. Mais tarde, retornei a instituição já como psicóloga para cursar a Especialização em Sexualidade Humana e em seguida o Mestrado em Sexologia (o único na América Latina). Tive a oportunidade de estagiar como docente no Curso de Medicina e de Enfermagem e como profissional ministrar aulas na Especialização em Educação Especial e no MBA em Gestão.

E hoje, após 33 anos do meu primeiro contato com a instituição e orgulhosa da minha sólida formação, portanto, sem nenhum receio de olhar para trás, emociono-me ao constatar o que ocorreu com a UGF. Mas, paro por alguns instantes as minhas recordações a fim de chamar atenção para o fato do Brasil, quiçá o mundo, passar por uma enorme crise educacional.



Atrevo-me afirmar que, o que está por trás de toda essa crise é a uma aposta numa educação “low cost” através da implantação de uma política educacional que, lamentavelmente, não visa a prestar o melhor serviço aos alunos, mas apenas o serviço mais barato, com salas cheias, disciplinas EADs - muitas vezes sem uma plataforma adequada -, matrículas após o início das aulas, não pagamento de salários, e como se não bastasse, o descarte de professores renomados, mas antigos e por isso “caros”, redução do número de professores e o aumento da carga horária dos que permanecem sem respeitar as suas aderências, alta-rotatividade de colaboradores em todos os setores em decorrência dos baixos salários etc.

Ressalto que se isso tem ocorrido, não é apenas por incompetência dos gestores dessas instituições ou de “lavagem de dinheiro” ou “fraude” como argumentam os jornais, mas principalmente, em decorrência de uma política educacional.

No Brasil, lamentavelmente, essa política educacional vem sendo adotada por inúmeras IES e o mais triste, com aquiescência do Governo. E o meu maior pesar, é perceber que essa educação “low cost” provoca efeitos perversos, interferindo diretamente na capacidade de se fazer um trabalho de maior qualidade, de verdadeiramente EDUCAR... de APRENDER.

E esse efeito perverso, por está sendo reproduzido indiscriminadamente em um conjunto de IES, me faz levantar questões bem mais profundas, questões que ultrapassam os muros das UGFs, UniverCidades, IBMR Laureates, BENETTs, USUs e de tantas outras instituições prejudicadas  pela política educacional.

- Não estaria ocorrendo algo estranho em tudo isso?
- Como essa “desqualificação da educação” pode realmente ser enfrentada de forma, minimamente razoável no Brasil?
- No papel de cidadã, como posso colaborar para melhorar a educação universitária no meu país?
- Qual o interesse de um país em tratar educação como mercadoria?
- Afinal, quem é o responsável por essa crise que se instalou?
- Por que a autarquia federal que exerce, em todo o Território Nacional, as atribuições concedidas pela Lei nº 12.529/2011:  - CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) que tem a missão de zelar pela livre concorrência no mercado, sendo a entidade responsável, no âmbito do Poder Executivo, não só por investigar e decidir sobre a matéria concorrencial,
como também fomentar e disseminar a cultura da livre concorrência tem autorizado, indiscriminadamente, a compra de instituições educacionais brasileiras pelos mercantilistas internacionais?  Por que, efetivamente, o CADE não faz o que lhe cabe?
- E o MEC, qual é a sua posição diante de tantas atrocidades que ocorremdentro das instituições acadêmicas?
- E como cobrar isso do Governo?
- Não seria o caso do Brasil tentar reexaminar o sistema de educação como um todo e, quem sabe, rever seus próprios objetivos?

Na realidade, esse reexame já vem sendo feito por estudantes, CAs, DCEs, CPIs, sindicatos, professores, pesquisadores, especialistas em educação, pela sociedade como um todo. No entanto, esse reexame ainda não produziu uma visão alternativa para esses “novos ideais”, esses novos projetos, por isso, percebo o atual sistema educacional brasileiro como uma espécie de criatura fraca, sem objetivo, sem rumo e consequentemente, sem alma. Essa ausência de alma, objetivo, motivação, rumo impede, por sua vez, que surja vontade política para enfrentar os problemas crescentes da educação no Brasil. É nesse sentido que a crise educacional (que, diga-se de passagem, sempre existiu no nosso país) hoje é muito mais profunda do que quando iniciei a minha vida acadêmica – mais de 20 anos atrás. E, é por isso que esses impasses e dilemas da educação em nosso país me inquietam, me incomodam, me irritam, me fazem pensar: - No Brasil se instituiu a mercantilização da educação. Ela virou uma mercadoria como outra qualquer.

Isso começou no governo FHC, continuou com Lula e permaneceu com Dilma. Por isso é que o Brasil está sempre entre os últimos em qualquer avaliação internacional de conhecimento... uma vergonha!

Neste instante, volto às memórias (dessa vez recente) e recordo que o ano de 2013 foi marcante e marcado por manifestações e expressões populares, sobretudo no que se refere à educação. E quem sabe, não pode ter sido o pontapé inicial de um processo muito maior de mudança.  E assim espero!

Assim torço! Algumas questões continuam no ar e é preciso que o Brasil seja mobilizado muito mais intensamente, profundamente e de forma contínua para que as mudanças, de fato, ocorram.
Temos que nos implicar! Temos que nos empoderar! Temos que nos engajar! Temos que lutar por uma educação de qualidade para todos!

Afrodisíacos e prazeres

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Sandra Baptista - 17 de janeiro de 2014 às 13:29
reprodução
Na mitologia grega, Afrodite é considerada a deusa da beleza e da paixão sexual

Desde os tempos mais remotos, o ser humano sempre buscou encontrar uma “poção mágica” que aumentasse o seu desejo e, por conseguinte intensificasse o seu desempenho e potência sexual, e por conta disso, várias culturas recorreram a algumas substâncias com essa intenção. E é, a essas substâncias, que supostamente, tem a propriedade estimulante, que denominamos de afrodisíaco – termo esse, derivado do nome da deusa grega do amor, da beleza e da sexualidade: Afrodite.

Com o passar do tempo, a lista de substâncias afrodisíacas incluiu quase tudo; desde a maça bíblica até algumas drogas ilícitas, passando pelas raízes (mandrágora, ginseng, alcaçuz, muirapuama), cascas de árvores (ioimbê - de onde é extraída a ioimbina), alimentos (ostras, erva-doce, ovo de codorna, amendoim, rabanete, cacau), hormônios (testosterona), tônicos feitos de substâncias como a salsaparrilha, lúpulo ou assa-fétida, além de perfumes, insetos, testículos e chifres de animais etc.

Um detalhe que merece ser destacado, é que muitas dessas substâncias foram consideradas afrodisíacas por sua semelhança com os órgãos sexuais. Assim, o chifre de um veado ou o corno de um rinoceronte, bem como a raiz de mandrágora ou do ginseng podem sugerir um pênis em plena ereção, enquanto que uma ostra pode assemelhar-se aos grandes e pequenos lábios vaginais e o seu degustar a prática do sexo oral na mulher.

Vale ressaltar, que a reputação de alguns destes produtos sobreviveu à passagem dos séculos. No entanto, o que se atribui a muitas dessas e de outras substâncias nunca foi cientificamente comprovado. Na realidade, em alguns casos foi constatado um efeito até contrário ou mesmo prejudicial à saúde, um exemplo disso é que os princípios ativos da mandrágora são duas substâncias que provocam o sono, razão pela qual não a torna muito
estimulante.

Outro produto frequentemente citado como afrodisíaco é a mosca espanhola ou cantárida. A cantaridina, obtida das asas dissecadas deste inseto, é uma substância altamente tóxica. Seu efeito consiste numa irritação do sistema digestivo e urinário que, embora possa provocar sensações parecidas com a excitação sexual, também pode dar lugar a ulcerações e hemorragias das vias urinárias, e uma overdose desse produto pode até levar a morte.

Também é amplamente difundido o uso do álcool como estimulante sexual. Este efeito baseia-se na desinibição que se produz, ou seja, na alteração de comportamento de uma forma suficientemente ampla para apresentar reflexos também na sexualidade. O álcool, assim como outras drogas, inibe os centros cerebrais de censura e controle, podendo provocar uma sensação passageira de euforia e libertação. Mas, de fato, como já observava Shakespeare (em Macbeth), o álcool provoca o desejo sexual, mas impede a sua realização. De onde podemos supor a possibilidade de uma “dupla ressaca” no dia seguinte.

No geral, podemos concluir que é mais provável que a autossugestão desempenhe o papel principal quando muitas dessas estranhas, improváveis e até banais substâncias parecem surtir efeito.

Finalmente, percebemos que é inegável a legião de homens e mulheres de todos os níveis culturais que esperam encontrar uma “poção mágica” que lhes acenda o fogo do desejo e lhes proporcione uma resposta sexual das mais intensas.

E é por conta disso, que vale sempre lembrar, que basta apenas um afrodisíaco - o único afrodisíaco que é universal, potente e de eficácia comprovada para que o fogo seja aceso: – um(a) parceiro(a) sexual suficientemente apaixonado(a), carinhoso(a) e excitante, num ambiente agradável e propício para o amor. Esse sim é infalível! Quer uma dica?

Experimente esse afrodisíaco e depois nos conte.