Sexta, 24 de Novembro de 2017

O Repórter

Sandra Baptista

Sandra Baptista é psicóloga clínica, sexóloga, educadora, consultora de projetos sociais e educacionais e debatedora da Rádio Tupi do Rio de Janeiro.
Sandra Baptista

Dismorfia Corporal: espelho, espelho meu...

  • Compartilhar
  • Compartilhar por e-mail
  • Reportar um erro
Sandra Baptista - 03 de fevereiro de 2014 às 11:16
reprodução

Dismorfia Corporal, Dismorfofobia, Transtorno Dismórfico Corporal ou Síndrome da Distorção da Imagem são termos utilizados para diferenciar o que a pessoa percebe ser e o que realmente é, ou seja, transtorno psicológico onde o indivíduo acredita ter defeitos físicos que não possui ou possui em um grau mínimo, mas percebe como acentuado. Essa crença pode levar ao delírio ou rituais obsessivos como se olhar no espelho o tempo todo buscando defeitos.

O diagnóstico é um grande desafio, já que na sociedade atual os sintomas são regularmente confundidos como uma mera preocupação com a vaidade dificultando também o seu prognóstico.

Por isso, devemos atentar para a procura recorrente por cirurgias estéticas e demais procedimentos que disfarçam “imperfeições”, cuidados extremos com cabelos, dietas “mágicas”, exercícios exagerados, uso de roupas para esconder o corpo ou uma ideação irreal de envelhecimento, uma vez, que estes comportamentos podem ser o reflexo de um quadro de distorção da imagem corporal.

E no que tange a imagem corporal, cabe destacarmos que o conceito é de difícil definição; pouco claro e ambíguo. Entre inúmeros autores não há consenso em relação a definição e nem há uma teoria única que congregue e/ou agregue as abordagens existentes. No entanto, ao pensarmos em imagem corporal, uma relação que devemos considerar, é a que se estabelece entre a sociedade de consumo e o corpo, ou seja, a construção social da beleza.

Neste aspecto há um consenso de que essa imagem mental do corpo envolve inúmeras dimensões influenciadas pela idade, etnia, personalidade, saúde versus doença, sexualidade etc. construídas em uma matriz sociocultural.

Em relação à sexualidade feminina, mais especificamente o exercício da atividade sexual, percebemos em mulheres que sofrem de dismorfia corporal aspectos como a relação entre sua satisfação sexual e uma pequena cicatriz, ou seja, um impacto enorme daquilo que considera um defeito na sua resposta sexual.

Também observamos uma preocupação de ocultar do parceiro o que não gosta, chegando a recusa de despir-se em frente a ele, sem contar, o sentimento de deformidade, vergonha, percepção de ausência de atratividade sexual e consequentemente a mudança do Ser Mulher.

E sem dúvida, essas percepções negativas podem impactar no relacionamento sexual e afetivo desta mulher e/ou casal.

Assim, devemos observar, que a frustração, o desconforto frente a “objetividade” real ou irreal do espelho pode se converter num forte inibidor sexual aumentando ainda mais a dimensão do problema.

Dessa forma, impõe-se, como qualquer outro assunto desse quilate, uma reflexão maior sobre esse tema que é gerador de angústia, sentimento de menos valia, conflito e dor aos envolvidos.