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O Repórter

Sandra Baptista

Sandra Baptista é psicóloga clínica, sexóloga, educadora, consultora de projetos sociais e educacionais e debatedora da Rádio Tupi do Rio de Janeiro.
Sandra Baptista

Afrodisíacos e prazeres

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Sandra Baptista - 17 de janeiro de 2014 às 13:29
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Na mitologia grega, Afrodite é considerada a deusa da beleza e da paixão sexual

Desde os tempos mais remotos, o ser humano sempre buscou encontrar uma “poção mágica” que aumentasse o seu desejo e, por conseguinte intensificasse o seu desempenho e potência sexual, e por conta disso, várias culturas recorreram a algumas substâncias com essa intenção. E é, a essas substâncias, que supostamente, tem a propriedade estimulante, que denominamos de afrodisíaco – termo esse, derivado do nome da deusa grega do amor, da beleza e da sexualidade: Afrodite.

Com o passar do tempo, a lista de substâncias afrodisíacas incluiu quase tudo; desde a maça bíblica até algumas drogas ilícitas, passando pelas raízes (mandrágora, ginseng, alcaçuz, muirapuama), cascas de árvores (ioimbê - de onde é extraída a ioimbina), alimentos (ostras, erva-doce, ovo de codorna, amendoim, rabanete, cacau), hormônios (testosterona), tônicos feitos de substâncias como a salsaparrilha, lúpulo ou assa-fétida, além de perfumes, insetos, testículos e chifres de animais etc.

Um detalhe que merece ser destacado, é que muitas dessas substâncias foram consideradas afrodisíacas por sua semelhança com os órgãos sexuais. Assim, o chifre de um veado ou o corno de um rinoceronte, bem como a raiz de mandrágora ou do ginseng podem sugerir um pênis em plena ereção, enquanto que uma ostra pode assemelhar-se aos grandes e pequenos lábios vaginais e o seu degustar a prática do sexo oral na mulher.

Vale ressaltar, que a reputação de alguns destes produtos sobreviveu à passagem dos séculos. No entanto, o que se atribui a muitas dessas e de outras substâncias nunca foi cientificamente comprovado. Na realidade, em alguns casos foi constatado um efeito até contrário ou mesmo prejudicial à saúde, um exemplo disso é que os princípios ativos da mandrágora são duas substâncias que provocam o sono, razão pela qual não a torna muito
estimulante.

Outro produto frequentemente citado como afrodisíaco é a mosca espanhola ou cantárida. A cantaridina, obtida das asas dissecadas deste inseto, é uma substância altamente tóxica. Seu efeito consiste numa irritação do sistema digestivo e urinário que, embora possa provocar sensações parecidas com a excitação sexual, também pode dar lugar a ulcerações e hemorragias das vias urinárias, e uma overdose desse produto pode até levar a morte.

Também é amplamente difundido o uso do álcool como estimulante sexual. Este efeito baseia-se na desinibição que se produz, ou seja, na alteração de comportamento de uma forma suficientemente ampla para apresentar reflexos também na sexualidade. O álcool, assim como outras drogas, inibe os centros cerebrais de censura e controle, podendo provocar uma sensação passageira de euforia e libertação. Mas, de fato, como já observava Shakespeare (em Macbeth), o álcool provoca o desejo sexual, mas impede a sua realização. De onde podemos supor a possibilidade de uma “dupla ressaca” no dia seguinte.

No geral, podemos concluir que é mais provável que a autossugestão desempenhe o papel principal quando muitas dessas estranhas, improváveis e até banais substâncias parecem surtir efeito.

Finalmente, percebemos que é inegável a legião de homens e mulheres de todos os níveis culturais que esperam encontrar uma “poção mágica” que lhes acenda o fogo do desejo e lhes proporcione uma resposta sexual das mais intensas.

E é por conta disso, que vale sempre lembrar, que basta apenas um afrodisíaco - o único afrodisíaco que é universal, potente e de eficácia comprovada para que o fogo seja aceso: – um(a) parceiro(a) sexual suficientemente apaixonado(a), carinhoso(a) e excitante, num ambiente agradável e propício para o amor. Esse sim é infalível! Quer uma dica?

Experimente esse afrodisíaco e depois nos conte.