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Um dia turístico em Salvador: 'só na terça-feira, meu rei'

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Da Redação - 26 de junho de 2013 às 23:32
Fotos: Alex de Souza / Agência O Repórter
O famoso Farol da Barra estava fechado no dia de nossa visita, em pleno feriado de jogo do Brasil

Alex de Souza e Ralph Guichard

SALVADOR (O REPÓRTER) - Estar em uma cidade tão bela e charmosa como Salvador é um privilégio para qualquer pessoa do mundo. Passar o dia inteiro de folga por lá, ainda por cima, melhor ainda. Tivemos essa oportunidade nesse domingo (23), graças ao técnico Luiz Felipe Scolari. Como estamos cobrindo o dia a dia da seleção brasileira, a folga atribuída aos jogadores acaba beneficiando também os jornalistas, que ganham tempo para recarregar as baterias. Em pleno fim de semana, com uma competição internacional de futebol ocorrendo na cidade, a Copa das Confederações, e uma das principais festas populares sendo realizada, o São João, a cidade estava recheada de turistas ansiosos para desbravar a rica cultura e as sensacionais paisagens da região. A maioria, entretanto, esbarrava no singelo bordão: "só na terça-feira, meu rei".

O roteiro era o mais simples possível: conhecer os principais atrativos utilizando apenas o transporte público. E a jornada já começou positiva desde a manhã. Naquela data, as passagens de ônibus custavam a metade do preço tradicional: R$ 1,40.



Após uma pequena caminhada da praia de Amaralina, onde ficamos hospedados, até o Rio Vermelho, partimos para a primeira parada: a praia da Barra. De longe, já era possível avistar os arrecifes, que davam um brilho especial ao lindo cenário. Depois de passar pela imagem do Cristo Redentor, a primeira parada definia o que íamos encontrar por todo o passeio. Ao nos depararmos com o Farol da Barra, vimos várias pessoas tirando fotos e curtindo o cenário no lado de fora, já que o Museu Náutico da Bahia estava fechado. Ao perguntar ao vigia que fazia a segurança, a resposta: "Só na terça-feira, meu rei!"



Depois das primeiras praias, chegara a hora de partir para o Centro histórico. No agitado Pelourinho, crianças batucavam e baianas vendiam acarajé e vatapá no ambiente devidamente decorado para o São João. Na fila de espera para pegar o Elevador Lacerda, que custava modestos 15 centavos para utilização, um homem passava com uma cobra pendurada. Segundo ele, era para consumo próprio, para o espanto dos que dividiam conosco o elevador.



Ao chegar à Cidade Baixa e procurar o Mercado Modelo para comprar as lembranças, adivinhem? Fechado! Ao perguntar a um vendedor de cocos, devidamente instalado na sombra da pracinha, a que horas abriria o comércio, a resposta: "Só na terça-feira, meu rei".

Sem as lembranças, o jeito foi seguir para a Igreja do Bonfim. Será que até o símbolo maior da religiosidade baiana também só abriria na terça-feira? Felizmente, Deus estava de plantão! Portas abertas e missa sendo celebrada.

Na porta da igreja, símbolo da religiosidade baiana, ambulantes abordavam os turistas tentando empurrar as tradicionais fitinhas e outros "souvenirs". Quem se precipitava, acabava gastando mais, uma vez que lojinhas no outro lado da rua vendiam o mesmo produto com o dobro da quantidade pela metade do preço.



Com os pedidos já realizados, a fome passou a chamar a atenção. Uma simpática vendedora da região nos indicou uma rua próxima que possuía uma série de restaurantes. No fim de uma caminhada de 10 minutos, a surpresa, ou melhor, o bordão: "só na terça-feira, meu rei". Tudo fechado.

Infelizmente, quem estava na cidade para acompanhar a festa de São João ou o jogo do Brasil na Copa das Confederações não se programou para seguir em Salvador até a terça-feira, quando a cidade voltaria a funcionar. Porém, mesmo com os principais pontos turísticos fechados, a beleza que ronda as praias e construções é algo que poucos lugares do mundo conseguem ter em todas as terças-feiras do ano e, também, nos demais dias.