Sexta, 03 de Abril de 2020

O Repórter

Em sua primeira entrevista, Papa Francisco exige simplicidade na Igreja

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Redação - 29 de julho de 2013 às 00:29

RIO DE JANEIRO (O REPÓRTER) - O papa Francisco, mais uma vez, nadou contra a corrente e diferente de seu antecessor Bento XVI concedeu sua primeira entrevista a um jornalista, mesmo depois de dizer que papa não respondia pergunta de jornalistas.

O feito aconteceu na última quinta-feira (25), quando Sua Santidade recebeu o repórter Gerson Camarotti, da GloboNews, para uma conversa que a equipe de reportagem destacou como franca e informal.

De maneira firme, o papa respondeu a todas as perguntas de Camarotti, e falou sobre os escândalos no Vaticano e os desafios da Igreja Católica para atrair fiéis. O assunto pedofilia, no entanto, não foi mencionado.

Francisco elogiou a segurança e o carinho com que os brasileiros o receberam e, assim como Francisco de Assis, deu lições de humildade e grande preocupação com a fome no mundo, e principalmente, as crianças.

Na entrevista, de meia hora, mandou um recado para outros religiosos.

“Penso que temos que dar testemunho de uma certa simplicidade - eu diria, inclusive, de pobreza. O povo sente seu coração magoado quando nós,  as pessoas consagradas, são apegadas a dinheiro.”

O Papa ainda tentou identificar o fenômeno da perda de fiéis da Igreja no Brasil.

“Vou levantar uma hipótese. Pra mim é fundamental a proximidade da Igreja. Porque a Igreja é mãe, e nem você nem eu conhecemos uma mãe por correspondência. A mãe... dá carinho, toca, beija, ama. Quando a Igreja, ocupada com mil coisas, se descuida dessa proximidade, se descuida disso e só se comunica com documentos, é como uma mãe que se comunica com seu filho por carta. Não sei se foi isso o que aconteceu no Brasil. Não sei, mas sei que em alguns lugares da Argentina que conheço isso aconteceu.”

Se mostrando envergonhado com o Vatileaks, Francisco disse também que punirá o sacerdote que fraudou o Banco do Vaticano.

“Agora mesmo, temos um escândalo de transferência de 10 ou 20 milhões de dólares de monsenhor. Belo favor faz esse senhor à Igreja, não é? Mas é preciso reconhecer que ele agiu mal, e a Igreja tem que dar a ele a punição que merece, pois agiu mal. No momento do conclave, antes temos o que chamamos congregações gerais - uma semana de reuniões dos cardeais. Naquela ocasião, falamos claramente dos problemas. Falamos de tudo. Porque estávamos sozinhos, e para saber qual era a realidade e traçar o perfil do novo Papa. E dali saíram problemas sérios, derivados em parte de tudo o que vocês conhecem: do Vatileaks e assim por diante. Havia problemas de escândalos. Mas também havia os santos. Esses homens que deram sua vida para trabalhar pela Igreja de maneira silenciosa no Conselho Apostólico.”

A entrevista teve espaço ainda para descontração. Quando o repórter tocou na rivalidade que brasileiros e argentinos carregam e, com muita sabedoria e carisma, usou de diplomacia que lhe é bastante própria.

“O povo brasileiro tem um grande coração. Quanto à rivalidade, creio que já está totalmente superada. Porque negociamos bem: o Papa é argentino e Deus é brasileiro.”

Encerrou, mandando um recado para os jovens que protestam no Brasil e pelo mundo.

“Com toda a franqueza lhe digo: não sei bem por que os jovens estão protestando. Esse é o primeiro ponto. Segundo ponto: um jovem que não protesta não me agrada. Porque o jovem tem a ilusão da utopia, e a utopia não é sempre ruim. A utopia é respirar e olhar adiante. O jovem é mais espontâneo, não tem tanta experiência de vida, é verdade. Mas às vezes a experiência nos freia. E ele tem mais energia para defender suas ideias. O jovem é essencialmente um inconformista. E isso é muito lindo! É preciso ouvir os jovens, dar-lhes lugares para se expressar, e cuidar para que não sejam manipulados.”

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