Domingo, 28 de Novembro de 2021

O Repórter

Ex-gerente do Facebook assume autoria de denúncias contra rede

Frances Haugen enviou documentos para jornal dos EUA

  • Compartilhar
  • Compartilhar por e-mail
  • Reportar um erro
Redação - 04 de outubro de 2021 às 17:35 (Atualizada em 04 de outubro de 2021 às 17:37)
EPA
Facebook foi acusado por ex-funcionária de pensar mais nos lucros do que era bom para o público

NOVA YORK (ANSA) - A ex-gerente de produtos do Facebook Frances Haugen revelou ao programa "60 Minutes", da "CBS News", neste domingo (3) que foi ela quem apresentou uma série de denúncias sobre as práticas da rede social.

Os documentos dados pela funcionária embasaram reportagens do "Wall Street Journal" que mostraram, entre outros pontos, que há uma política de proteção de celebridades - que não precisam respeitar as regras internas - e que o Instagram sabe que a rede é "tóxica" para os adolescentes, mas nada faz.

"Eu vi repetidamente conflitos de interesses entre aquilo que era bom para o público e o que era bom para o Facebook. E, todas as vezes, o Facebook escolheu só o que era melhor para ele e para seus lucros", disse Haugen.

Conforme a ex-funcionária, a rede social fundada por Mark Zuckerberg sempre olhou para os "lucros acima da segurança" dos usuários e do público em geral.

Ainda conforme Haugen, ela apresentou denúncias a órgãos norte-americanos sobre resultados de pesquisas que foram "escondidas" dos investidores e do público. Ela deve ser ouvida por uma comissão do Senado nesta terça-feira (5).

Haugen disse que trabalhou em outras redes sociais, mas que a situação no Facebook foi a pior de todas. "Em um certo momento em 2021, eu percebi que precisava agir de maneira sistemática e que eu precisava ter muitos documentos de maneira que ninguém pudesse colocar em dúvida que isso era real", disse ainda à "CBS News".

A gerente entrou no Facebook em 2019 e deixou a empresa em outubro deste ano. Ela ainda afirmou que "ninguém é malvado" na rede social, mas "os incentivos estão desalinhados".

"O Facebook viu que, se mudasse o algoritmo para algo que seja mais seguro, as pessoas passarão menos tempo no site, vão clicar menos em anúncios e vão gerar menos dinheiro. Ele ganha mais dinheiro quando você consome mais conteúdo e as pessoas gostam de se envolver com coisas que provocam uma reação emocional. E, quanto mais raiva você sentir, mais vai interagir e consumir", acrescentou.

A diretora das Políticas de Comunicação do Facebook, Lena Pietsch, respondeu as acusações em uma nota ao programa.

"Todos os dias, nossas equipes precisam equilibrar a proteção do direito de bilhões de pessoas de se expressarem abertamente com a necessidade de manter nossa plataforma um lugar seguro e positivo. Continuamos a fazer melhorias significativas para combater a disseminação de informações falsas e conteúdo prejudicial. Sugerir que encorajamos conteúdo impróprio e não fazemos nada não é verdade", destacou.

Pietsch ainda ressaltou que um dos motivos da rede social investir em deixar a comunidade "segura" é que "hospedar conteúdo ofensivo ou prejudicial é ruim para nossa comunidade, ruim para os anunciantes e, em última análise, ruim para nossos negócios".

  • Compartilhar
  • Compartilhar por e-mail
  • Reportar um erro
Deixe seu comentário
Mensagem: