Quarta, 11 de Dezembro de 2019

O Repórter

Frei Neylor Tonin

Neylor J. Tonin é frade franciscano e descendente de italianos. Mestre em Espiritualidade, é formado em Psicologia, Sociologia e Jornalismo. Escritor e conferencista, professor de Oratória Sacra (Homilética), quer ser da vida "um bom pastor, um ardente profeta, um encantado poeta.
Frei Neylor Tonin

De Coração Aberto - Natal

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Frei Neylor Tonin - 21 de dezembro de 2013 às 10:45

NATAL: da parte de Deus, é uma graça inacreditável, impensável por nós, humanos. Deus poderia ter aparecido de muitas outras formas. Preferiu a forma humana. Ser gente não é nenhum desdouro nem para Deus. Quando uma mulher rasga seu corpo e aperta em seu peito um filhinho, ela atualiza a criação de Deus. A mãe é a mais eloquente imagem de Deus. Ela nos consola, como Deus, nos salva, como Deus, dá sua vida por seus filhos, como Deus. Todas as sociedades deveriam ter um monumento às mulheres MÃES. São elas que criam os criadores da sociedade. Benditas mães! Benditos filhos... de uma mãe!

NATAL: da parte do homem, é uma partilha imperiosa e urgente. No Natal, Deus chega até nós. Arma sua tenda em nossa terra. É verdade que Deus veio para o que era seu, e os seus não o receberam, Sua luz brilhou nas trevas, mas as trevas preferiram a própria escuridão da noite ao esplendor de seu sol. Qualquer cantinho da terra, mesmo que seja uma estrebaria, é um lugar abençoado por Deus, porque Deus ama tudo o que fez e não se aborrece de nada do que criou. Ele é “o grande amigo da vida” (Sb 11,26). Por isso que o estábulo de Belém se encheu de anjos e lá não houve um lamento, mas cantos de alegria. No Natal, este canto precisa voltar. As estrebarias têm que conhecer o eterno canto dos anjos. Estes anjos podemos ser nós. Podemos e devemos. É possível fazer o Natal ser uma graça de Deus, pelo compromisso da partilha humana.

No Largo da Carioca, no Centro do Rio, recriamos todos os anos e fazemos acontecer o Natal para 500 crianças pobres e suas famílias. Uma gota de cuidados neste mar das misérias humanas, certamente! Mas é uma gota. Estas 500 crianças levarão em sua memória este gesto divino e humano: Deus estará nascendo e nós seremos seus anjos, cantando para elas e fazendo-as cantar de alegria. Por um dia, na vida sofrida delas, elas experimentam o que a humanidade experimentou, sem saber, no Natal de Jesus. É para elas, um DIA DE PAZ. Dessa Paz que tanto desejamos e que é o caminho de Deus para a humanidade. Como disse Gandhi, “não procuremos o caminho da Paz, porque a Paz é o caminho”.

Colunistas

Os comentários, a cada ano, de vários colunistas de jornais são de indecisão e de perplexidade, quando se decidem ou se veem forçados a não evitar o assunto Natal. É como se dissessem: “Poxa, de novo? O que dizer que já não disse nos anos anteriores?” A ficar apenas nas materialidades da festa, torna-se difícil escrever algo substancial de interesse dos Leitores sobre tema tão específico. As materialidades do Natal – Papai Noel, presépios, árvore de Natal, presentes, compras, correrias, crianças desejosas e aflitas, comida, família reunida, descanso das atividades – tudo isso se repete com mínimas variações de ano para ano. As coisas materiais, com certeza, têm limites ingratos e de pouca inspiração. Não assim, a espiritualidade da festa, do nascimento de Jesus, do qual se podem lembrar consequências ricas e sempre novas. Não dá para comentar o Natal com um artigo escrito sobre as coxas. O ideal seria que nascesse dos joelhos de quem crê e reza. Não critico os colunistas por nada. Cumprem seu papel, mas vejo-os patinando em suas descrenças religiosas. Para quem crê, o Natal é um acontecimento único para a humanidade, não só para os cristãos. Aconteceu um dia, com data precisa (“quando César Augusto era o imperador de Roma, Quirino, o governador da Síria, no tempo do Rei Herodes”). Escrever sobre isso envolve mais do que satisfazer uma obrigatoriedade profissional. De qualquer forma, sobra sempre a pergunta perplexa de Machado de Assis com a qual finalizou seu soneto: “Mudou o Natal, ou terei mudado eu?” A todos os jornalistas e aos queridos Leitores da nossa coluna, meus votos são de Paz e de um FELIZ NATAL!

Oração pela Paz diante do Presépio

Ó Jesus, lindo menino e príncipe da paz:
gostaríamos, hoje, de pedir-te um grande presente: a paz!
Nós e nosso mundo precisamos tanto de paz,
da Paz verdadeira e inteira, da qual és a fonte e a garantia.
Dá-nos, te pedimos, um coração de paz, bom e amigo!
Faz-nos instrumentos da paz,
daquela paz anunciada pelos Anjos nas campinas de Belém.

Que bom seria, Jesus, se pudéssemos, em troca,
também te oferecer um mundo de paz e uma festa de irmãos!
O ruído das armas, no entanto, ainda assusta a pombinha da paz
e a violência campeia enlouquecida em nosso mundo.

Mas, Jesus, lindo menino e príncipe da paz,
não tenhas medo nem deixes de nascer!
Há todo um mundo que luta pelo bem
e que acredita na “civilização do amor”.

Um dia, quem sabe, sob tua inspiração,
“o lobo habitará com o cordeiro
e o leão comerá capim com o boi” (Is 11,6-7).
A justiça, então, inundará a terra,
como as águas enchem o mar (v. 9).
E todos cantaremos e dançaremos, juntos,
o nascimento de um lindo menino, que és tu.

Por hoje, reforça nossos anseios de paz
e reacende, forte, a chama da esperança,
ao mesmo tempo em que colocamos, junto a teu presépio,
com alegria e sem medo, nosso pobre coração humano,
machucado, quem sabe, mas, ao mesmo tempo,
inebriado com os sonhos de um Feliz Natal!

Frei Neylor. J. Tonin
neylor.tonin@terra.com.br
www.freineylor.net


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Comentários (2)
  • Antônio Carlos Sarkis Issa (Tete - Moçambique )

    Prezado Frey Neylor Com. Desejos ardentes de que o brilho da estrela de Belém continue a iluminar teus passos, não só neste Natal mas por todo o ano que está por vir Peço tua benção e uma oração especial para as milhares de crianças da África que anseiam por um mundo mais justo e pela Paz que só o Menino Jesus lhes pode oferecer. Assim como peço que ores por mim também para que regresse em breve para o Brasil.

    21/12/2013 06:11 Carregando...
  • Frei Neylor (Nilópolis)

    QUERIDO ANTÔNIO CARLOS: Com certeza, rezarei por você pelas crianças africanas que vivem na África, na Baixada Fluminense, no Nordeste brasileiro e, um pouco, por todo o mundo. Nada me aperta tanto o coração quanto a tristeza de uma criança. Faça o que puder por elas. Prometo tentar o mesmo.

    21/12/2013 04:35 Carregando...
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