Quinta, 19 de Setembro de 2019

O Repórter

Frei Neylor Tonin

Neylor J. Tonin é frade franciscano e descendente de italianos. Mestre em Espiritualidade, é formado em Psicologia, Sociologia e Jornalismo. Escritor e conferencista, professor de Oratória Sacra (Homilética), quer ser da vida "um bom pastor, um ardente profeta, um encantado poeta.
Frei Neylor Tonin

De Coração Aberto - Consciência Negra

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Frei Neylor Tonin - 23 de novembro de 2013 às 14:17
divulgação

Ora, direis, consciência não tem cor, e estais cobertos de razão. Cor tem a pele, os olhos, os cabelos, os lábios e as unhas. Mas como o amor é vermelho como a púrpura, a pureza é branca como a neve, assim a festa da coragem e do heroísmo, da igualdade e da liberdade de ZUMBI e de todo um povo pode ter a sua cor. Hoje, ela é negra. E nós a aplaudimos e nos irmanamos com ela. Na admiração dos fatos, temos todos CONSCIÊNCIA NEGRA. Reconhecemos os que escreveram a gloriosa página DOS PALMARES. Foram 20, 30 mil escravos negros, que resistiram por quase 100 anos à desumanidade da escravidão. Lutaram, morreram e se eternizaram. Esses negros e seu herói maior têm a nossa reverência. Que eles, onde estiverem, perdoem, como diz o poeta CASTRO ALVES, “tanta infâmia e cobardia”. Em respeito à sua dor, e para tornar mais NEGRA a CONSCIÊNCIA dos brasileiros de hoje, transcrevo abaixo parte do poema “Navio Negreiro” do vate baiano (1847-1871), escrito quando ele tinha apenas 22 anos de idade.

“Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
se é loucura... se é verdade
tanto horror  perante os céus...
Ó mar! Por que não apagas
co’a esponja de tuas vagas
do teu manto este borrão?...
Astros! Noite! Tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!

E existe um povo que a bandeira empresta
p’ra cobrir tanta infâmia e cobardia!...
e deixa-a transformar-se nessa festa
em manto impuro de bacante fria!...
Meu Deus! Meu Deus! Mas que bandeira é esta,
que impudente na gávea tripudia?!...
Silêncio!... Musa! Chora, chora tanto,
que o pavilhão se lave no teu pranto!...

Auriverde pendão de minha terra,
que a brisa do Brasil beija e balança,
estandarte que a luz do sol encerra,
as promessas divinas da esperança...
Tu, que da liberdade após a guerra
foste hasteado dos heróis na lança,
antes te houvessem roto na batalha
que servires a um povo de mortalha!...

Fatalidade atroz que a mente esmaga!
Extingue nesta hora o brigue imundo,
o trilho que Colombo abriu na vaga,
como um íris no pélago profundo!
...Mas é infâmia demais... Da etérea plaga
levantai-vos, heróis, do Novo Mundo...
Andrada! Arranca esse pendão dos ares!
Colombo! Fecha as portas dos teus mares!”

Cristo Rei

O Ano Litúrgico da Igreja se encerra, neste domingo, com a festa de Cristo Rei. O apocalipse ficou para trás. Agora, Cristo se aproxima, sobre as nuvens do céu, como Rei. Vem para o Juízo Final, para separar as ovelhas dos bodes, os bons dos maus, os bem-aventurados dos condenados ao fogo da Geena. Ele é o Senhor dos vivos e dos mortos. São Paulo, na Carta aos Colossenses, apresenta Cristo como o primogênito de todas as criaturas. Ele é, por isso, Rei por origem. “Ele é a imagem do Deus invisível. Nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis. Tudo foi criado por Ele e para Ele. Ele é antes de tudo e tudo subsiste nele” (1,15ss). Mas Ele é também Rei por aquisição. “Ele é o princípio, o primogênito dos mortos, para ocupar em tudo o primeiro lugar. Foi do agrado de Deus fazer habitar nele toda a plenitude e por Ele reconciliar tudo consigo mesmo, pacificando pelo sangue de sua cruz todas as coisas, tanto as da terra como as do céu” (1,17ss). Tudo tem a marca de Cristo. As criaturas inanimadas são “crísticas”, e as que o reconhecem ou vivem, mesmo sem ter consciência, segundo seus preceitos são chamadas de “cristãs”. De todas, Ele é Rei e Senhor. Ninguém existe senão por causa dele e ninguém se salva senão graças a Ele. É este o sentido maior da festa de Cristo Rei, que a fé professa e a liturgia celebra. Há um conhecimento explícito de Cristo nos cristãos e há uma identidade cristã naqueles que, mesmo não o conhecendo, lhe são fiéis implicitamente. Assim se pode dizer que fora da Igreja há gente mais cristã, por seu comportamento evangélico, do que dentro da Igreja, por seu juramento frouxo. De uns e outros ele é Rei, para sua salvação ou perdição. Só no Juízo Final, saberemos quem foi ovelha, quem foi bode. Para uns Ele dirá: “Vinde, benditos do meu Pai!” Para os outros: “Afastai-vos de mim para o fogo do inferno!”

“Ajuda-me a dizer a verdade diante dos fortes e a não dizer mentiras para ganhar o aplauso dos débeis. Se me dás fortuna, não me tires a razão; se me dás êxito, não me tires a humildade; se me dás humildade, não me tires a dignidade. Ajuda-me sempre a ver a outra face da medalha; não me deixes culpar de traição a outrem por não pensar como eu. Ensina-me a querer aos outros como a mim mesmo. Não me deixes cair no orgulho se triunfo, nem no desespero se fracasso. Mas, antes, recorda-me que o fracasso é a experiência que precede o triunfo. Se me tiras o êxito, deixa-me forças para aprender com o fracasso. Se eu ofender a alguém, dá-me energia para pedir desculpas e se alguém me ofender, dá-me energia para perdoar. Senhor, se eu me esquecer de ti, nunca te esqueças de mim.”

Mahatma Gandhi, 1869-1948, líder pacifista indiano

Frei Neylor, irmão menor e pecador
neylor.tonin@terra.com.br
www.freineylor.net


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Comentários (1)
  • Antonio (Rio de Janeiro)

    Boa viagem curta bem com a sua linda família, esperamos seu retorno. Tenha um lindo dia. (Laboncinho, pastor de ovelhas de 1953-1957 na Serra de Monte Muro onde viviam os Mouros)

    29/11/2013 03:26 Carregando...
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