Quarta, 19 de Janeiro de 2022

O Repórter

Frei Neylor Tonin

Neylor J. Tonin é frade franciscano e descendente de italianos. Mestre em Espiritualidade, é formado em Psicologia, Sociologia e Jornalismo. Escritor e conferencista, professor de Oratória Sacra (Homilética), quer ser da vida "um bom pastor, um ardente profeta, um encantado poeta.
Frei Neylor Tonin

De Coração Aberto - Viver encantado

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Frei Neylor Tonin - 25 de agosto de 2013 às 14:28
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A dificuldade maior não é optar entre o bem e o mal, mas seguir, com todo o coração, o que se escolheu. Os caminhos humanos e espirituais são feitos de intensidades e de provérbios, como “totalmente” e “plenamente”. As pessoas, normalmente, sabem o que lhes convêm, mas demonstram pouca coragem em se definir por suas eleições. A vida, na verdade, não é uma brincadeira para crianças retardadas e mal crescidas, e sim uma fascinante aventura que cobra dos adultos o empenho de todas as suas forças, mesmo quando tenham que rilhar os dentes e não descer da cruz em que se encontram pregadas. Infelizmente, nem todas as pessoas crescem harmoniosamente e muitas se encontram mal preparadas para a arte de viver em plenitude. Ou seu espírito é fraco e, por isto, não responde devidamente aos desafios, ou seu psiquismo é conflituoso, levando-as a decisões equivocadas quando seu interior sonha por voos mais altos.

Há pessoas pascais, que têm uma grande verdade, mas se mostram medrosas e se refugiam, confortavelmente, em cenáculos seguros mas estéreis, e há pessoas pentecostais que vivem de coração aberto e saem em praça pública para afirmar a beleza da vida, as excelências  de um caráter sem fissuras e as virtudes do espírito.

Não gosto de fazer acusações e muito menos condenar. Como psicólogo e estudioso da espiritualidade, sirvo-me e deixo-me iluminar pelos mestres espirituais do presente e do passado e pelos  ensinamentos e descobertas da psicologia para ajudar e animar os que sonham ser “plenamente humanos” e desejam estar “totalmente vivos”. Mais do que uma análise, alimento, em minha missão de homem e sacerdote, um itinerário em busca duma possível e desejada plenitude.

Trecho do livro

Num livro que escrevi (“Para uma Espiritualidade da Vida”), digo: A pessoa quer e aspira, antes de mais nada e acima de tudo, por viver. Tal como o Ser Supremo, o homem é um “amante da vida” (Sb 11,26) e sonha com uma vida em plenitude. É nisto que se revela sua verdadeira imagem e semelhança com o Deus da vida. É aqui que pulsa o melhor do mistério humano em seu mais doloroso e grandioso paradoxo. Aspirando ser imortal, a pessoa reconhece, na raiz de sua história, o gérmen da morte que lhe corrói a vida. Para ser realista e verdadeiro, não pode viver desancorado desta dupla contingência: é vida e deseja viver; é morte e terá que morrer. É nisto que reside a beleza da vida e sua tragédia, tornando-se o homem para si mesmo seu maior desafio e tendo na vida sua mais empolgante aventura. A vida não nos pertence. Somos apenas a moldura onde ela acontece. Outros são o criador e os pintores de nossa vida. Deixar-se criar e pintar por uns e outros, no temor e com tremor, é que nos fará mais espirituais e menos melancólicos e frustrados. De nós pede a vida apenas a complementação do todo: que a amemos e a vivamos com todo o coração e encantados com seu mistério.

Espaços da liberdade


Tanto a Espiritualidade quanto a Psicologia defendem e proclamam que amar é ampliar os espaços de liberdade da pessoa amada. Por que é tão complicado abrir espaços de liberdade para as pessoas a quem amamos? Acredito que, no fundo, temos medo de nós mesmos e por isso não confiamos nos outros, não lhes concedemos os ditos espaços. Achamos que eles não saberão ser fiéis nos relacionamentos que têm, porque tememos as próprias infidelidades. As inseguranças próprias nos atormentam e nos levam a atormentar os outros. Já conheci tantas pessoas, especialmente mulheres, que eram alegres, participativas, simpáticas, efusivas, risonhas, antes de se casarem. Uma vez casadas, começaram a viver cheias de dedos, de cuidados, com medo das desconfianças de seus maridos. Ficaram diferentes... para pior. Perderam o viço da própria vida e personalidade. Ficaram com os espaços de sua liberdade encolhidos. Que pena! Se pudesse fazer um apelo: deixemos ou permitamos que os outros, as pessoas amadas, sejam livres. Respeitemos os espaços de liberdade da qual elas necessitam para serem felizes e elas mesmas. Que elas voltem a sorrir e a embelezar a vida, porque é isso que faz com que um homem se case com uma mulher: porque achou graça nela. Que nossos medos não lhe tirem essa graça.



PLAC! PLAC! para os pereginos da JMJ que deixaram 1,8 bilhão de Reais nos cofres da cidade do Rio, para o gáudio de seus comerciantes.
PLAC! PLAC! para a Ordem de São Bento que deu para a Igreja 23 Papas, 5 mil Bispos e mais de 3 mil santos canonizados.
PLAC! PLAC! para o Papa Francisco e o Governo do Vaticano que estão endurecendo contra os crimes de abuso sexual envolvendo menores.

UUUH! UUUH! para Políticos e Partidos, useiros e vezeiros em prometer muito e cumprir quase nada.
UUUH! UUUH! para os municípios brasileiros (73,7%) que desviam os fundos destinados à Educação e à Saúde.
UUUH! UUUH! para as manifestações racistas de certas forças políticas italianas contra Cecile Kyenge, a primeira Ministra negra na história da daquele país.

MEU DEUS!
O brasileiro gasta, por dia, 2 horas e 35 minutos diante da televisão e apenas 6 minutos com a leitura de algum livro.
MEU DEUS! Italianos, americanos e brasileiros, nesta ordem, são os que mais compram apartamentos de luxo em Paris.
MEU DEUS! 1677 funcionários da Câmara, em Brasília, recebem mais do que o salário-teto de R$ 28.000 e 22, mais de R$ 48.000.

Leitores

A jovem professora Inês Ferreira ecoou a contribuição Jardineiros da Esperança, do domingo passado, e se lembrou do pensamento de Dom Hélder Câmara: “Esperança é crer na aventura do amor, apostar nos homens e pular no escuro, confiando em Deus”. Obrigado, Professora. E salve o grande e saudoso Arcebispo Dom Hélder!



“O ser humano é do tamanho do seu sonho”.
Fernando Pessoa, 1888-1935, poeta e escritor português

Frei Neylor, irmão menor e pecador
neylor.tonin@terra.com.br
www.freineylor.net


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