Quarta, 20 de Novembro de 2019

O Repórter

Mensagens revelam detalhes do plano de Trump para Ucrânia

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Redação - 04 de outubro de 2019 às 13:56 (Atualizada em 04 de outubro de 2019 às 14:00)
divulgação
Caso motivou processo de impeachment contra o presidente

WASHINGTON (ANSA) - Mensagens divulgadas nesta sexta-feira (4) pela Comissão de Inteligência da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, controlada pela oposição democrata, mostram como o governo americano agiu para pressionar a Ucrânia a investigar Joe Biden, possível oponente do presidente Donald Trump nas eleições de 2020.

As mensagens de texto foram trocadas entre julho e setembro e envolvem o advogado pessoal do magnata, Rudolph Giuliani; o então enviado especial dos EUA a Kiev, Kurt Volker; o embaixador americano na União Europeia, Gordon Sondland; o embaixador interino na Ucrânia, Bill Taylor; e Andrey Yermak, conselheiro do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

Em uma mensagem de 19 de julho, Volker diz a Sondland e Taylor que tomou café naquela manhã com Giuliani e introduz o assunto que seria tema de um telefonema entre Trump e Zelensky seis dias depois. "O mais importante é que Zelensky diga que vai ajudar com a investigação", afirma o ex-enviado.

Taylor então responde que o presidente da Ucrânia é "sensível" à possibilidade de seu país ser visto como "instrumento da política doméstica em Washington". Em outra mensagem, Volker diz ter ouvido da Casa Branca que o "presidente Z" ganharia uma visita oficial aos EUA se convencesse Trump de que investigaria "até o fim o que aconteceu em 2016".

O presidente americano e seus aliados alegam que a Ucrânia agiu para beneficiar os democratas nas últimas eleições, ao demitir um procurador-geral, Viktor Shokin, que investigava uma empresa que tinha Hunter Biden, filho de Joe Biden, então vice de Barack Obama, como conselheiro.

No telefonema de 25 de julho, Trump pediu para Zelensky investigar o caso. "Tem muita conversa sobre o filho de Biden, que Biden parou a investigação, e muita gente quer descobrir o que aconteceu. Biden andou se gabando que ele parou a investigação, então se você puder dar uma olhada nisso… Parece algo horrível para mim. [...] Gostaria de pedir gentilmente que, se você tiver informações adicionais que possa nos dar, seria muito útil para a investigação", afirmou o magnata na ocasião.

Declaração - Após o telefonema de 25 de julho, Volker e Sondland teriam redigido uma declaração que seria lida por Zelensky e na qual ele se comprometeria a investigar a família Biden e a Burisma, empresa onde Hunter atuava como conselheiro.

Em 29 de agosto, no entanto, Yermak enviou a Volker o link de uma reportagem do site Politico sobre o congelamento de uma ajuda militar dos EUA à Ucrânia. A notícia preocupou Taylor.

"Acho maluco reter assistência de segurança em troca de ajudar uma campanha política", disse.

Em seguida, Sondland reage e afirma que o diplomata na Ucrânia está "errado sobre as intenções" de Trump. "O presidente está tentando avaliar se a Ucrânia vai verdadeiramente adotar a transparência e as reformas que o presidente Zelensky prometeu durante a campanha", acrescenta.

A conversa com o líder ucraniano motivou a abertura de um processo de impeachment contra Trump na Câmara, que é dominada pelo Partido Democrata. O julgamento final, no entanto, cabe ao Senado, de maioria republicana e onde a remoção do presidente precisa do apoio de dois terços do plenário.

Tags:
Donald Trump, EUA
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