Quarta, 22 de Maio de 2019

O Repórter

Quer se destacar no mercado de PME? Invista na desburocratização

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Redação... - 13 de maio de 2019 às 17:36

Por Marco Camhaji*

Muito se fala sobre o quanto a burocracia é um problema para os empreendedores brasileiros. A reclamação, porém, está embasada em dados estatísticos. De acordo com o Banco Mundial, o País é o que mais demora na simples preparação de documentos para pagamentos de impostos e contribuições em todo o planeta. Nada mais, nada menos que 1958 horas são gastas no Brasil para esse fim. Exatamente: são necessários quase três meses para dar conta dessa organização. A média ao redor do globo, pasmem, é de 322 horas.

Pior: no relatório Doing Business de 2019, também do Banco Mundial, o Brasil está na 109ª posição no ranking de países mais fáceis de se abrir uma empresa. Estamos atrás de nações como Namíbia, Papua Nova Guiné, Tonga, Butão e Botswana. É uma vergonha nacional.

Tal número, estarrecedor, traz à baila não uma necessidade, mas uma urgência: é preciso desburocratizar o mercado como um todo. Para isso, todavia, nós, empreendedores, precisamos começar tal movimento pela nossa própria empresa. E nós só temos a ganhar com isso.

O mais óbvio e, talvez, principal benefício da desburocratização é a agilidade. Em tempos nos quais é cada vez mais difícil fazer a gestão do tempo, ganhar celeridade em processos que antes eram muito mais lentos é um imenso ganho para uma empresa. Gastar 1958 horas apenas para se preparar para pagamentos é um imenso contrassenso nos dias atuais.

Menos burocracia também significa menos documentos necessários para abrir uma empresa. É óbvio que a regulamentação e a fiscalização de empresas é fundamental, mas, no caso brasileiro, tudo leva a crer que os requisitos legais para começar a atuar são exagerados. Tantas exigências acabam, apenas, desmotivando quem gostaria de ter seu próprio negócio - e colaborar com a Economia do País. Isso faz com que, também, a criatividade e a inovação sejam prejudicados. Ora, quem vai querer buscar crescer no mercado com tantos empecilhos? Nada mais natural que a inspiração seja tolhida.

Um ponto que chega até a ser irônico também é interessante. Quanto mais burocracia, mais corrupção. Se, em tese, a rigidez e a imensa quantidade de documentos tem como finalidade uma melhor fiscalização do mercado pelo Estado, por outro, o excesso de documentos, dinheiro, instâncias e entidades faz com que mais caminhos para desvios de qualquer ordem apareçam. Ao menos é o que aponta uma pesquisa da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP).

Por fim, menos burocracia, embora não seja regra, costuma indicar mais automatização. Ter todos os processos digitalizados traz mais eficiência e segurança para a empresa. Existem muitas startups que lidam com o sistema financeiro, chamadas de fintechs, que ajudam empreendedores a controlar orçamentos e ganhar tempo no adiantamento de recebíveis, por exemplo.

Com um país e um mercado ainda muito burocratizado, a empresa que caminha no sentido contrário ganha muitos pontos. O empreendedor que encontrar o caminho estará muito bem posicionado a médio prazo.

*Marco Camhaji é CEO da Adianta, foi sócio-operacional da Redpoint Eventures e CFO da Movile. Também tem passagens por Apontador, NetMovies, PricewaterhouseCoopers, KPMG, Kyocera Wireless e General Electric

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