Quinta, 23 de Maio de 2019

O Repórter

Análise: Tite pouco inova e comete os mesmos erros da Copa de 2018

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Rafael Max - 17 de maio de 2019 às 13:45
Pedro Martins / MoWA Press
Tite anunciou a lista dos atletas para a Copa América de 2019

Convocação de seleção brasileira sempre vai gerar discussão. E gera ainda mais quando o treinador aposta em um estilo que não deu certo. É o que acontece com Tite, que ganhou uma rara chance de prosseguir com seu trabalho mesmo após um retumbante fracasso na Copa do Mundo de 2018. O treinador ganhou a chance da redenção na Copa América de 2019, mas a confiança do torcedor aparenta ter caído ainda mais com a lista de atletas que estarão na disputa.

Tite volta a apostar nos "homens de confiança" para a Copa América. É o que justifica as convocações de nomes como Cássio e Fagner, goleiro e lateral do Corinthians, e Fernandinho, meia do Manchester City. Este último segue até hoje tachado como responsável pela eliminação na Copa do Mundo passada. 

Curiosamente, a presença de Fernandinho fez a torcida questionar a ausência de Fabinho, do Liverpool. O meia dos Reds jogará a final da Liga dos Campeões da Europa no dia 1º de junho. Outro nome da finalíssima que está fora é o de Lucas Moura, autor de três gols que colocaram o Tottenham na decisão. Ou seja, a decisão da competição europeia colocará ainda mais pressão sobre a lista final que Tite apresentou nesta sexta-feira.

A ausência de Lucas Moura pode ser justificada pelo fato de o setor ofensivo ser o mais "congestionado" em opções. Tanto que David Neres, do Ajax, só foi convocado na base da insistência, pois nem as boas atuações pelo time holandês foram suficientes para que ele aparecesse entre os convocados - o atacante entrou após Vinícius Júnior ser cortado durante a última data-Fifa.

Entre as outras ausências sentidas estão a do próprio Vinícius Júnior, além do lateral-esquerdo Marcelo e do lateral-direito Danilo.

Já Neymar segue inabalável na seleção. O atacante ainda não vestiu a amarelinha neste ano e segue sob desconfiança do torcedor, pois as atitudes do atleta em seu retorno ao PSG arranham ainda mais a imagem do atleta - o camisa 10 agrediu um torcedor na final da Copa da França em jogo que terminou sem o título para a equipe parisiense. 

Tite tem dificuldade de lidar com Neymar, que ainda segue como principal rosto da seleção brasileira. Com Douglas Costa o treinador fez questão de destacar o "ato de indisciplina" - uma cusparada sobre um adversário - que o mantém de fora da amarelinha até hoje. Enquanto isso, o atacante do PSG se mantém firme mesmo sob questionamentos. Cabe ao camisa 10, nessa chance de ouro, chamar a responsabilidade para si e fazer valer essa convocação, ou ficará marcado como principal rosto de uma campanha ruim com a seleção brasileira.

No saldo geral, o treinador segue com a mesma fórmula que fez a seleção cair na Copa do Mundo: preferências pelos "amigos", jogadores contestados, bons nomes ausentes e pouca renovação. Tudo isso em uma competição em que o Brasil precisa se redimir com o torcedor. Diferente do acontecido em 1989, quando o Brasil foi anfitrião da Copa América e venceu com time renovado três anos depois de uma eliminação em Copa do Mundo. Os resposáveis pela conquista? Bebeto e Romário, nomes que fizeram a alegria do torcedor cinco anos depois, na Copa do Mundo de 1994. Porém, se Tite quiser se inspirar, a equipe verde e amarela da época também entrou em campo vinda de maus resultados e desacreditada. Tudo pode acontecer.

*Rafael Max é jornalista de OREPORTER.COM. Dúvidas? rafael.max@oreporter.com

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