BELO HORIZONTE (O REPÓRTER) - Enquanto lojas eram incendiadas em conflitos entre manifestantes e policiais no lado de fora do Mineirão, no gramado, o jogo também pegava fogo. As chamas, entretanto, eram apenas metafóricas, uma vez que Brasil e Uruguai faziam uma partida digna de clássico na Copa da Confederações. Com muita garra, a seleção brasileira superou a força dos uruguaios e venceu por 2 a 1, garantindo a vaga na final. Fred e Neymar marcaram os gols, com Cavani diminuindo, em confronto que teve direito até a uma defesa de pênalti de Julio César.
Logo na execução do Hino Nacional, o público brasileiro que lotava as arquibancadas já mostrava que a pressão em cima do Uruguai seria grande. Assim como havia acontecido em Fortaleza, os espectadores continuaram a cantar mesmo após o corte na melodia. Apesar da motivação, o início de partida foi bastante emperrada no meio de campo, em função do equilíbrio tático e da forte marcação de ambos os lados.
Mas o momento positivo brasileiro se transformou em drama aos 13 minutos. Após cobrança de escanteio, David Luiz empurrou Lugano dentro da área. O juiz não pensou duas vezes e marcou o pênalti. Um gol naquela situação tornaria a missão do time de Felipão mais complicada, com a equipe precisando correr atrás do resultado. Sob vaias incessantes do público, Forlán partiu calmamente para a bola e chutou rasteiro no canto esquerdo de Julio César. O goleiro pulou no lado certo e, todo esticado, conseguiu fazer a defesa.
Com o placar inalterado, a seleção brasileira tentava construir as jogadas a partir das pontas, com Hulk, pela direita, e Neymar, pela esquerda. O desarme agressivo uruguaio, no entanto, impedia qualquer lance de maior perigo. Por outro lado, a equipe do técnico Oscar Tabárez não se inibia. Tanto que, aos 29 minutos, Suárez avançou e achou Forlán com espaço na entrada da área. O centro-avante dominou e chutou forte por cima do gol.
Sem testar o goleiro Muslera, a melhor oportunidade brasileira surgiu aos 36 minutos, quando Marcelo chegou até a linha de fudo e buscou Fred dentro da área. O camisa 9 pegou mal na bola e não conseguiu a finalização na direção do gol. Depois, na jogada seguinte, o tempo fechou. Luiz Gustavo entrou mais forte na dividida e acabou levando o cartão amarelo.
E a felicidade finalmente bateu a porta no final do primeiro tempo. Fred achou Neymar na esquerda, que avançou em velocidade. O jovem chutou em cima do goleiro rival, que deu rebote exatamente nos pés do artilheiro Fred, que não decepcionou e abriu o placar.
De volta para a etapa final, o Uruguai continuou a pressionar. E a zaga brasileira, que já estava instável, acabou tendo um apagão total nos minutos iniciais. Thiago Silva tentou sair jogando na defesa e acabou errando. Marcelo também falhou e viu Cavani realizar um chute seco, que terminou no fundo da rede. Tudo igual no Mineirão.
A partir daí, os uruguaios passaram a dominar a posse de bola. Dessa forma, o Brasil conseguiu atacar com perigo apenas na bola parada, em um chute forte de Hulk em cobrança de falta que terminou com boa defesa de Muslera. O camisa 19, aliás, acabou saindo aos 17 minutos, dando lugar ao meia Bernard, do Atlético-MG. Os torcedores mineiros foram ao delírio com a alteração.
Sem sentir a juventude, Bernard logo mostrou serviço. Na primeira jogada, o meia avançou com desenvoltura e agilidade pela direita, deixando Fred na cara do gol. O atacante, porém, pegou mal e acabou isolando. Depois, o camisa 20 voltou a construir oportunidades, dando uma assistência na medida para Neymar, que chutou fraco.
Enquanto a situação era crítica no lado de fora do estádio, a fumaça preta que podia ser vista de dentro do estádio, em função dos incêndios na rua de acesso ao Mineirão, também simbolizava o clima quente no gramado. Primeiro, Neymar acabou sendo atingido por um chute quando já estava caído, depois, Marcelo desarmou com violência o adversário. Como resultado, o lateral-esquerdo e González acabaram sendo advertidos com o cartão amarelo.
Com o jogo nivelado e a prorrogação cada vez mais próxima, o técnico do Uruguai já pensava em guardar substituições para o tempo extra. O goleiro Muslera também tentava ganhar tempo, atrasando as reposições de bola. Mas o feitiço virou contra o feiticeiro. Aos 40 minutos, Neymar cobrou o escanteio na segunda trave e o volante Paulinho surgiu como um foguete para fazer uma cabeçada certeira. Era o gol que deixava a seleção brasileira muito próxima da final.
A fim de tentar conter a pressão, Felipão tirou Neymar e fechou o time com três zagueiros, colocando Dante. A equipe liderada por Lugano continuou buscando o empate até o último minuto. Até o goleiro Muslera foi para a área, mas a bola não entrou. No fim, o apito do árbitro serviu de alívio para os brasileiros, que conquistaram uma grande vitória e, consequentemente, a vaga na decisão.
O Brasil agora espera o jogo entre Espanha e Itália, em Fortaleza, para saber quem será o oponente no Maracanã. Já o Uruguai, que reclamou bastante com o juiz após o término do jogo, vai a Salvador para tentar o terceiro lugar na Copa das Confederações.

BRASIL 2 X 1 URUGUAI
Estádio do Mineirão - Belo Horizonte/MG
BRASIL: Julio César, Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz e Marcelo; Luiz Gustavo, Paulinho e Oscar (Hernanes); Hulk (Bernard), Neymar e Fred. TÉC: Luiz Felipe Scolari;
URUGUAI: Muslera, Maximiliano Pereira, Diego Lugano, Godín e Cáceres; Arévalo Rios, Álvaro González (Gargano) e Cristian Rodríguez; Forlán, Suárez e Cavani. TÉC: Oscar Tabárez.
Gols: Fred e Paulinho (Brasil); Cavani (Uruguai);
Cartões amarelos: David Luiz, Luiz Gustavo, Marcelo (Brasil); Cavani, González (Uruguai).
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