SÃO PAULO - Edson Arantes do Nascimento, o 'Rei Pelé' morreu nesta quinta-feira (29) aos 82 anos na cidade de São Paulo. Mineiro de Três Corações, o maior jogador brasileiro da história, estava internado no Hospital Albert Einstein na capital paulista. Ele morreu por complicações de um câncer no colón.
O atacante que fez história no Santos e na Seleção Brasileira tratava um câncer no cólon desde setembro de 2021. A doença havia se espalhado para o pulmão e fígado. Em 2022, Pelé teve covid-19 no mês de novembro e foi internado no hospital.
Recentemente, nos jogos do Brasil na Copa do Mundo do Catar, diversas homenagens e mensagens de apoio foram levantadas para Pelé. Na arquibancada, torcedores abriram bandeirão antes das partidas e ao minuto 10 com a foto de Pelé. Em campo, os jogadores homenagearam o Rei com faixa após a classificação diante da Coreia do Sul nas oitavas de final no Estádio 974, em Doha.
A confirmação do reinado
Em 1980, o jornal francês L’Equipe publicou o resultado de uma eleição feita com jornalistas das 20 mais importantes publicações sobre esportes do mundo. Eles poderiam votar em 50 nomes de uma lista prévia, mas outros sete nomes apareceram, conforme noticiou o jornal “O Estado de São Paulo”, à época. O brasileiro ficou em primeiro lugar, deixando outras estrelas internacionais para trás.
Família do Rei
Pelé teve sete filhos e estava casado desde 2016 com Márcia Aoki. Do primeiro casamento, com Rosemeri Cholbi, nasceram Kelly Cristina, Edinho e Jennifer. O ex-jogador também é pai dos gêmeos Joshua e Celeste, de seu relacionamento com a psicóloga Assíria Lemos. Além desses, Pelé teve duas filhas fora do casamento: Sandra Regina, que só obteve o reconhecimento da paternidade pela Justiça e morreu em 2006, e Flávia.
Luta contra o câncer
Pelé lutou contra um câncer generalizado, que atingiu intestino (cólon) e se espalhou para o fígado e início do pulmão. Em janeiro de 2022, após uma bateria de exames para checar o avanço da doença, os médicos constataram uma metástase — fase da doença na qual as células cancerígenas se espalham a partir do tumor primordial para outras regiões do corpo.
Depois de iniciar os tratamentos contra o câncer, foi o tumor no cólon fez com que o atleta histórico não resistisse.
O rei foi acometido pela doença no intestino grosso desde setembro de 2021, após uma sequência de exames de rotina. Na época, foi submetido a uma cirurgia para retirado tumor no cólon direito. Desde então, ele estava recluso, com visitas regulares ao hospital, para tratar a doença com quimioterapia.
Carreira
Em cerca de 20 anos de carreira, Pelé marcou 1.282 gols, recorde absoluto na história do esporte mais popular do planeta, incluindo amistosos não oficiais, o que costuma causar divergências na contagem.
Além disso, foi o único jogador campeão de três Copas do Mundo (1958,1962 e 1970), sendo a primeira delas com apenas 17 anos, tornando-se o mais jovem vencedor do torneio.
Dos 1.282 gols de Pelé, 1.091 foram marcados vestindo a camisa do Santos, clube que ele defendeu de 1956 a 1974. O rei ainda balançou as redes 95 vezes pela seleção, número recorde, e 64 pelo New York Cosmos, já no fim da carreira - os gols restantes foram anotados por times combinados, como a seleção paulista, em amistosos não oficiais.
Além de ser o mais jovem a fazer um hat-trick em Copas, aos 17 anos de idade e em plena semifinal contra a França, Pelé anotou três gols em uma mesma partida 92 vezes, outro número longe de ser igualado.
O rei anotou 12 gols em 14 jogos de Copa, atrás apenas de Miroslav Klose (16), Ronaldo "Fenômeno" (15), Gerd Müller (14), Lionel Messi (13) e Just Fontaine (13).
Pelé também contabilizou 37 títulos na carreira, sendo 26 pelo Santos (10 Campeonatos Paulistas, seis Brasileiros, quatro Rio-São Paulo, duas Libertadores, dois Mundiais, uma Recopa Mundial e uma Recopa Sul-Americana), 10 com a seleção (três Copas do Mundo, três Copas Oswaldo Cruz, duas Copas Roca, uma Taça Atlântico e uma Taça Bernardo O'Higgins) e um pelo Cosmos (uma Liga Norte-Americana).
Em 2014, Pelé recebeu sete Bolas de Ouro retroativas da revista France Football, que antes só premiava europeus. Na correção, o brasileiro ficou com os troféus de 1958, 1959, 1960, 1961, 1963, 1965 e 1970.
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