RIO - O Rio de Janeiro abriu nesta terça-feira (31) a Cúpula da Parceria para Cidades Saudáveis 2026, evento que reúne, até quinta-feira (2), 340 autoridades e especialistas de mais de 70 cidades ao redor do mundo para debater estratégias de combate às doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) — responsáveis por mais de 80% de todas as mortes registradas globalmente. O encontro acontece no Hotel Fairmont, em Copacabana.
Na abertura, o prefeito Eduardo Cavaliere apresentou três iniciativas municipais que têm chamado atenção na rede internacional: o protocolo de resposta a ondas de calor, o programa de controle do tabagismo e as diretrizes de alimentação saudável nas escolas públicas da cidade. A presença do Rio como sede não é casual — a prefeitura integra a Parceria para Cidades Saudáveis desde a criação da rede, em 2017, e tem sido apontada como referência em implementação de políticas baseadas em evidências.
"Está claro que a saúde é a base de uma cidade verdadeiramente resiliente, equitativa e sustentável para todos", disse Eduardo Cavaliere, prefeito do Rio de Janeiro.
A cúpula é organizada pela Bloomberg Philanthropies em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Vital Strategies. O foco central do encontro são intervenções estruturais urbanas capazes de reduzir a exposição a fatores de risco para doenças do coração, diabetes, cânceres e doenças respiratórias crônicas — as principais causas de morte em países de baixa, média e alta renda.
Entre os países representados estão Bangladesh, Burkina Faso, Costa do Marfim, Cuba, Etiópia, Gana, Índia, Jordânia, Quênia, Nepal, Omã, Senegal, Serra Leoa, Uganda, Vietnã e Zimbábue, além de nações europeias e americanas. As cidades de Nairóbi, Dublin, Baltimore, Manchester e Córdoba estão confirmadas na programação de apresentações.
Três programas municipais foram destacados como cases na abertura do evento. O primeiro é o Protocolo de Calor, descrito como pioneiro no país: utiliza dados meteorológicos para prever ondas de calor com antecedência e acionar respostas como abertura de centros de resfriamento, pontos de hidratação e emissão de alertas à população.
O segundo é o Programa de Controle do Tabaco, que oferece serviços gratuitos de cessação do tabagismo pela rede municipal — incluindo apoio psicossocial, grupos de aconselhamento e distribuição de medicamentos. O terceiro é o programa de alimentação escolar, coordenado pela Unidade de Nutrição Annes Dias (UNAD), que proíbe ultraprocessados nas escolas municipais e orienta cardápios por faixa etária.
"As iniciativas de saúde pública do Rio de Janeiro tornam a cidade a anfitriã ideal da Cúpula 2026", pontuou Kelly Larson, responsável pelos programas de prevenção de lesões da Bloomberg Philanthropies.
Cúpulas realizadas em Londres, Cidade do Cabo e Paris já geraram mudanças concretas em cidades participantes. Na Cidade do México, a criação de uma ciclovia em via de grande movimento resultou em aumento de 275% no número de ciclistas. Em Bengaluru, na Índia, a fiscalização mais rigorosa de ambientes livres de fumo e a proibição do narguilé em espaços públicos contribuíram para a redução do consumo de tabaco. Em Atenas, a ampliação do acesso à naloxona em organizações comunitárias ajudou a enfrentar a crise de overdoses. Montevidéu estabeleceu padrões nutricionais para órgãos governamentais e universidades públicas. Dublin usou dados municipais e contribuições da população para direcionar investimentos em segurança para pedestres e ciclistas.
O evento segue até 2 de abril com visitas técnicas ao sistema público de saúde do Rio, painéis temáticos e intercâmbios entre as delegações presentes.
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